Mulheres e a Guerra: Cuidado e Combates

Publicado por Jessica Leme em

Diante do contexto em que estamos vivendo, infelizmente com mais um Guerra sendo travada, agora em território Europeu, temos nossos alunos muito curiosos com o que se pode esperar de uma Guerra, como ela se desenvolve, assim como ela se aplica aos soldados, civis e as mulheres e a Guerra.

A partir desse interesse, trago hoje uma reflexão possível de ser feita dentro de sala de aula, sobre o papel das mulheres dentro das Guerras.

Já adianto que esse artigo foi escrito e pensado a partir de uma perspectiva de estudo da Primeira e Segunda Guerra Mundial, não contemplando conflitos em regiões árabes, africanas e asiáticas que poderiam dar outro panorama da participação feminina em conflitos.

Vamos lá?

Post do Instagram com o título do texto: Mulheres e a Guerra.

Segunda Guerra Mundial – As enfermeiras brasileiras

O Brasil até meados da Segunda Guerra Mundial (1938/1945), havia se mantido neutro em relação ao conflito.

Em nosso país estávamos vivendo a Ditadura de Getúlio Vargas que desde muito antes da Guerra mantinha amizade próxima ao fascista Mussolini (Itália), assim como havia presenteado Hitler com prisioneiros judeus extraditados.

Com forte pressão internacional o Brasil passa a ser aliado dos Estados Unidos, e para a Guerra desenvolve um grupo especial chamado Força Expedicionária Brasileira (FEB). Além de soldados o Brasil ficou incumbido de enviar também enfermeiras, visto que as norte americanas já estavam exaustas e não falavam português o que poderia dificultar os cuidados aos soldados brasileiros.

Segundo Bernardes e Lopes (2007), o governo passou a recrutar jovens entre 18 e 36 anos de idade com conhecimentos na área da saúde para se alistarem de maneira voluntária. Após esse primeiro momento as jovens passaram por um curso específico para que incorporassem o treinamento militar e soubesse o que fazer diante do front na Itália.

O que se esperava de uma mulher na década de 1940?

Nesse período o nosso país ainda resguardava em si um pensamento muito provinciano, onde as mulheres deveriam ocupar apenas o espaço da esposa e mãe, quando não deveriam no máximo ocupar o espaço de professora primária.

A partir dessa informação podemos refletir o quão corajosas e destemidas foram as 67 profissionais de saúde brasileiras que optaram por ir à Guerra em apoio a (FEB) e em defesa de nosso país.

2° Tenente – Enfermeira Lúcia Osório

Dentro do espaço da Guerra, nossas enfermeiras eram consideradas inferiores em relação às profissionais norte americanas, formadas em outro contexto sociocultural e que além disso tinham títulos e graduações dentro da carreira militar americana, enquanto a enfermagem brasileira estava subalternizada.

Não tardou muito e fez-se necessária a mobilização de enfermeiras para a FEB. Apesar do Exército já possuir cabos e sargentos enfermeiros em seus quadros, que eram formados pela Escola de Saúde do Exército desde 1921, houve uma orientação norte-americana para a criação e envio de um corpo feminino de enfermagem, por motivos ainda não muito bem esclarecidos. Para dar conta disso, o Exército buscou o apoio de D. Laís Netto dos Reys, diretora da Escola Anna Nery, a fim de que se viabilizasse a participação de alunas oriundas desta instituição no Serviço de Saúde da FEB. Entretanto, a adesão almejada não foi efetivada, devido à proposta do Exército em não conferir às enfermeiras ananéri posto militar e remuneração condizente, motivo pelo qual a diretoria da referida Escola não se colocou favorável neste pleito.(Texto Contexto Enferm, Florianópolis, 2009, p. 690).

Mesmo diante das dificuldades impostas pelo contexto em que essas mulheres trabalharam ainda sim elas ousaram ser mais do que aquilo que se esperavam delas, Foi a partir dessa participação feminina na Segunda Guerra Mundial que as enfermeiras do Exército passaram a ter espaço formal dentro da Instituição tendo sido um marco de inserção da mulher nas Forças Armadas Brasileira, assim como de inserção no mercado de trabalho dentro do espaço da enfermagem.

Grupo de Enfermeiras que serviram na cidade de Pistóia, Itália na II Guerra Mundial

Discussões para sala de aula: Mulheres e a Guerra

A partir desse breve texto, que pode lhe servir professor como uma fala introdutória aos seus alunos, estabeleça um roteiro de pesquisa sobre:

Onde estão as mulheres nas Forças Armadas Brasileiras?

Quais os estereótipos atribuídos às mulheres da década de 1940 ainda permanecem na atualidade?

Existem ainda espaços profissionais em que as mulheres não tenham consigo se inserir?

Após as pesquisas, peça que seus alunos elaborem infográficos para que possam apresentar as informações levantadas e contribuir para o debate dos resultados com a turma toda!

Mulheres na História

Professor, por muito tempo a História das Mulheres foi silenciada, não pesquisada, escrita e apagada pelo tempo. Diante dessa realidade, em toda oportunidade pesquise, debate, busque trazer a tona o papel das mulheres no decorrer da história humana.

Dar protagonismo às mulheres auxilia na luta pela igualdade de gênero e o combate à violência trazida com heranças do patriarcado.

Quer saber mais?!

Aqui no site você pode aprofundar suas leituras sobre Segunda Guerra:

Pode desenvolver o estudo de como preparar um bom Infográfico:

E ter mais assuntos relacionados ao Dia Internacional da Mulher para trazer à discussão!

Referências:

BERNARDES, Margarida Maria Rocha. LOPES, Gertrudes Teixeira. As enfermeiras da Força Expedicionária brasileira no Front italiano. https://www.scielo.br/j/reeusp/a/jRSXyJXkFKnNw4kGYHcqT7N/?lang=pt#:~:text=Nesse%20cen%C3%A1rio%20de%20luta%2C%20tais,desigualdade%20com%20as%20enfermeiras%20brasileiras%2C Acesso em 06/03/2022.

MOTA, Louise Pimenta de Castro. O papel da mulher na Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial. https://bdex.eb.mil.br/jspui/handle/123456789/5505?mode=full Acesso em 06/03/2022.

https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1660421453404164-as-enfermeiras-brasileiras-da-2-guerra-mundial


Jessica Leme

Professora Mestre em História Cultural e Graduada em História Licenciatura na Universidade Estadual de Ponta Grossa. Pesquisa História e Fotografia; Nova História Política; Atualmente leciona na Rede Pública do Estado de São Paulo.

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