Rio de Janeiro: Viagem + História

Publicado por Caroline Dähne em

A cidade do Rio de Janeiro já foi a capital da Colônia Portuguesa a partir de 1763, sede do Império Português com a chegada da família real em 1808 e a capital do Brasil republicano até 1960.

Certamente, andar por suas ruas atualmente é combinar, as atrações turísticas de uma cidade com praias que atraem pessoas do mundo todo com as referências históricas do seu passado. Nesse sentido, como já dizia o poeta Mário Quintana, “viajar é trocar a roupa da alma”, e também pode ser uma ótima oportunidade para conhecer mais sobre a história do nosso país.

Post do instagram com imagem do Cristo Redentor e o título da postagem: Rio de Janeiro, Viagem + História.

Férias no Rio de Janeiro

Com a aproximação de dezembro, nós professores só conseguimos pensar em uma coisa: as férias escolares. Nesse sentido, que tal programar suas férias usando nossas dicas?

Lugares para aprender história passeando no Rio de Janeiro

Certamente, muito mais do que praias bonitas, a cidade carioca é repleta de lugares onde a história do nosso país foi acontecendo. Assim, separamos algumas dicas sobre os lugares que mais gostamos na visita que fizemos em julho deste ano:

Theatro Municipal

Imagem da frente do Theatro Municipal no Rio de Janeiro.
Fachada e vitral interior do Theatro Municipal no Rio de Janeiro.

Considerado atualmente uma das principais casas de espetáculos do Brasil e da América Latina, o Theatro Municipal foi inaugurado em 1909 no Rio de Janeiro.

Sua construção ocorreu em meio à Reforma Urbana promovida pelo prefeito Pereira Passos que buscava, entre 1902 e 1906, modernizar a cidade de acordo com os ideais de progresso defendidos pela República recém implantada no país. 

Estátua de Pereira Passos e fotografia do interior do Theatro Municipal.
Estátua de Pereira Passos e fotografia do interior do Theatro Municipal.
Acervo Pessoal, 2019.

Essa reforma procurou criar a imagem da “Cidade Maravilhosa”, e o Theatro não só passaria isso através da sua arquitetura nos moldes parisienses, mas também pela disseminação da cultura e costumes considerados civilizados.

Visitação

Para visitar o Theatro é necessário adquirir o ingresso para a visita guiada, eles são vendidos somente na bilheteria trinta minutos antes, ao custo de R$: 20,00 inteira e R$:10,00 meia. 

Terça a sexta-feira 12h, 14h30 e 16h

Sábados e feriados 11h, 12h e 13h

Mais informações sobre a visita no telefone 21 2332-9220.  

Impressão

Confesso que o Theatro Municipal foi minha visita preferida, a arquitetura do prédio tanto por fora quanto por dentro é impressionante. Isso porque, os salões são muito bonitos, e as guias que conduzem a visita trazem diversas informações sobre o prédio, seus eventos e a Reforma Pereira Passos.

Fachada do Theatro Municipal.
Fachada e interior do Theatro Municipal.
Acervo pessoal, 2019.

No dia que visitamos, pudemos assistir por alguns minutos um grupo que estava ensaiando a apresentação da Ópera Fausto, que estaria em cartaz em comemoração aos 110 anos do Theatro Municipal.

Fica minha recomendação para aqueles que puderem procurar também assistir algum espetáculo no Theatro durante sua viagem, os ingressos dependem da programação, mas tem alguns que são bem acessíveis ao público.   

Jardim Botânico

Tem como aprender história num jardim? Ô se tem! 

Certamente o Jardim Botânico do Rio de Janeiro hoje é uma das maiores atrações turísticas da cidade, considerado Patrimônio Nacional pelo Iphan e Reserva da Biosfera da Mata Atlântica pela Unesco. 

Fundado em 1808 pelo príncipe regente português Dom João VI três meses após a chegada da família real ao Brasil, o Real Horto, como era chamado, inicialmente abrigou uma fábrica de pólvoras que funcionou até 1851. Além dela, o lugar também tinha como objetivo aclimatar espécies de outros lugares do mundo ao clima e solo brasileiro.

Placa sobre a fundação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Placa sobre a fundação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Acervo Pessoal, 2019.

A intenção não era apenas embelezar a cidade, mas sim buscar reproduzir em solo brasileiro plantas que tinham grande valor na comercialização mundial, tais como as especiarias do Oriente: canela, pimenta, entre outros, visando sua exportação lucrativa.  

O Real Horto também fez parte do projeto de reforma da capital do Império português e, com o passar dos anos se tornou um local de lazer utilizado pela elite local, principalmente para demonstrar os ideais de civilidade e atrair investimentos de estrangeiros encantados com a exuberância da natureza do jardim.

Visitação

Para visitar o Jardim Botânico é necessário adquirir o ingresso na bilheteria do local, ao custo de R$: 15,00 inteira e R$:7,50 meia. 

Segunda-feira 12h às 18h

Terça a domingo 8h às 18h

Mais informações sobre a visita no telefone 21 3874-1808.  

Impressão

Além dos aspectos históricos da sua formação, o Jardim abriga milhares de espécies de plantas diferentes, inclusive algumas que estão em extinção. 

Existem placas e estátuas espalhadas por ele que indicam a presença da família real portuguesa na sua formação. Sem falar no Museu do Meio Ambiente que tem exposições sobre variadas temáticas relacionadas à História Ambiental

Vale a pena separar um repelente e um tênis para passar pelo menos metade de um dia caminhando por seus corredores repletos de natureza.

Fotografias do jardim botânico do Rio de Janeiro.
Fotografias das autoras do Nas Tramas de Clio no jardim botânico do Rio de Janeiro.
Acervo pessoal, 2019.

Palácio do Catete

Antiga sede do governo republicano, o Palácio do Catete durante 64 anos abrigou 18 presidentes do Brasil. Nesse sentido, em seus salões, corredores e quartos ocorreram decisões de Estado, como o reconhecimento de estado de beligerância nas duas Guerras Mundiais; recepções à Reis, Rainhas e um Papa da Igreja Católica; e até mesmo o suicídio de Getúlio Vargas.

Fotografias do quarto de Getúlio Vargas no Palácio do Catete.
Quarto onde Getúlio Vargas cometeu suicídio no Palácio do Catete, pijama e arma utilizados por ele na hora da morte.
Acervo pessoal, 2019.

Construído entre 1858 a 1867 pelo Barão de Nova Friburgo, o palácio foi símbolo de poder da elite cafeicultora enquanto o Rio de Janeiro era a capital do Império.

Assim, em 1896 o lugar foi adquirido pelo governo federal e passou a ser a sede da Presidência da República. Para isso, passou por uma reforma que trouxe inclusive a instalação da energia elétrica, símbolo de progresso no período.

Foi tombado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, atual Iphan, em 1938 e, permaneceu como sede da república brasileira até o ano de 1960 quando foi transferida para Brasília pelo governo de Juscelino Kubitschek.

Atualmente, o Palácio do Catete abriga o Museu da República e conta com objetos dos presidentes que ali moraram e governaram, inclusive o quarto onde Getúlio Vargas cometeu o suicídio, com o pijama e a arma utilizados por ele no dia de sua morte.

Visitação

O Museu da República possui visitação gratuita diariamente, inclusive com acesso ao jardim. 

Terça a sexta-feira 10h às 17h

Sábado, domingo e feriados 11h às 18h

Mais informações sobre a visita no telefone 21 2127-0324.  

Impressão

Certamente, esse lugar não poderia faltar no roteiro de duas historiadoras que estudaram sobre Getúlio Vargas nas suas dissertações de mestrado. 

Fotografias do interior do Palácio do Catete.
Fotografias do interior do Palácio do Catete.
Acervo pessoal, 2019.

O palácio possui decorações belíssimas e uma equipe muito gentil com os visitantes. Vale muito a pena visitar e conhecer o local onde tantas decisões importantes da história da nossa república foram tomadas.

Viagem + História

E você, quando viaja costuma reparar na história dos lugares que viaja e visita museus?

Nas próximas semanas traremos mais sugestões de lugares históricos para visitar nas suas viagens pelo Brasil.


Caroline Dähne

Mestre em História, Cultura e Identidades e graduada em Licenciatura em História pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Desenvolve pesquisas relacionadas a Segunda Guerra Mundial, Discursos jornalísticos, Patriotismo e Nacionalismo, Imprensa brasileira e Propagandas de guerra. Atualmente atua como professora de História na rede particular de ensino na cidade de Curitiba-PR.

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