4 Museus para conhecer em 2020: Viagem + História

Publicado por Caroline Dähne em

O novo ano está começando e o clima de férias para professores e alunos continua. Nesse sentido elaboramos uma lista com 4 museus que você pode incluir na sua lista para conhecer em 2020.

Post do instagram com imagem de mapa ao fundo e o título do texto: 4 museus para conhecer em 2020.

Mas afinal, para que visitar museus?

Certamente reconhecidos pelo seu papel de instituição responsável pela preservação da memória de uma sociedade, os museus se constituem como espaços que possuem acervos materiais e promovem exposições abertas ao público, permanentes ou temporárias.

Ao conservar esses testemunhos materiais, ou seja, essa ampla variedade de objetos como documentos, móveis, fotografias, jornais, pinturas, entre outros, os museus contribuem com o conhecimento histórico sobre esses elementos e a sociedade que os produziu.

Mas mais do que apenas preservar, os museus ao realizarem as exposições desse material, contribuem com o estímulo à pesquisa, à disseminação do conhecimento e ao turismo na região.

O próprio local que abriga o acervo, sua arquitetura e sua história, também se constituem como lugares de memórias, principalmente no caso de museus de história. Então, a escolha por esses espaços vêm a partir da sua condição de patrimônio histórico ou daquilo que ele já abrigou. Seja no sentido material como imaterial, ou seja, os objetos que nele estão ou as práticas que ali aconteceram.

Que tipos de museus existem?

Partindo da iniciativa pública ou privada, existem diversos tipos de museus, basicamente sua principal diferença está na temática ou no tipo de objetos que seu acervo possui. Nesse sentido, os públicos que visitam esses espaços também podem mudar, de acordo com o interesse prévio pelo assunto.

Assim como existe essa diferenciação de acordo com o seu acervo, existem museus que são interdisciplinares, que trazem elementos de áreas variadas com um mesmo objetivo.

Nesse sentido, o maior exemplo disso está entre os museus de história e os de arte. Não significa que não tenha arte nos museus de história ou história nos museus de arte, mas sim que o enfoque principal está de acordo com o tipo de material exposto em seu interior.

Além dos museus de história e de arte, são comuns museus de ciência, militares, temáticos e biográficos. Na nossa seleção temos alguns exemplos de algumas dessas categorias.

Dicas de visitação a museus

Primeiramente, esteja sempre atento quanto às regras do espaço que está visitando. A maioria dos museus permitem que fotografias das peças em exposição sejam feitas, mas solicitam o não uso do flash. Isso porque, o uso deste pode danificar a cor das pinturas, por exemplo, causando alteração química dos pigmentos.

Assim, outra regra na maioria dos museus, é quanto ao toque nos objetos. Certamente, diferentes dos museus de tecnologia que geralmente são interativos e incentivam o toque, os museus históricos possuem peças frágeis que no toque contínuo pode danificar as peças.

Nesse sentido, preste atenção ao regulamento da visitação ao museu, contribuindo para sua manutenção. 

4 Museus para conhecer em 2020:

Sabendo sobre a importância dos museus e da diversidade de objetos que eles abrigam, que tal usar suas férias de 2020 para conhecer esses espaços que fazem o diálogo entre o passado e o presente?

Nossas sugestões são variadas e estão espalhadas pelo país, se você quiser mais sugestões nosso especial de férias, História + Viagem, traz outras dicas de museus para incluir nos seus roteiros.

Museu do Amanhã: Rio de Janeiro- RJ

Inaugurado em dezembro de 2015, como parte de um projeto de revitalização da Zona Portuária do Rio de Janeiro pensando nas Olimpíadas que ocorreram em 2016, o Museu do Amanhã é hoje o mais visitado do país.

Um dos 4 museus das dicas: Museu do Amanhã.
Acervo pessoal.
Rio de Janeiro, 2019.

Com uma arquitetura fora do comum projetada pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o museu situado nas margens da baía da Guanabara convida o visitante, através da interação com a exposição, a refletir sobre os impactos da humanidade ao planeta.

Buscando entender como nossas ações provocaram mudanças ao mundo, o museu busca mais do que respostas, gerar questionamentos ao visitante. Dividido em 5 sessões, ele nos convida a pensar sobre o futuro da humanidade através das velhas questões: de onde viemos? quem somos? como estamos? para onde vamos? como queremos ir?

Começando com uma experiência diferente já na exposição ‘Cosmos’, onde deitados no chão de uma sala com formato oval, podemos assistir em 360° uma projeção. A qual, através de uma narrativa desde o Big Bang até o surgimento dos seres humanos e a nossa convivência com a natureza, busca questionar ‘de onde viemos?’.

Sustentabilidade

Desde a sua construção e manutenção, até a sua exposição, o museu nos convida a pensar sobre os desafios para as próximas décadas no sentido de sustentabilidade. Nesse sentido, existem gráficos com dados e apontamentos científicos mostrando nosso impacto no planeta. 

Além de jogos interativos onde são feitas algumas perguntas sobre seu estilo de vida ou sua forma de pensar, neles você pode desvendar “que tipo de ser humano você é” ou quantos planetas são necessários para dar conta do seu padrão de consumo.

Visitação

A entrada para o museu custa R$ 20,00 e R$ 10,00 a meia entrada. Professores de escola pública, mediante a apresentação de comprovante, não pagam a entrada. Já os professores de escola particular pagam o valor da meia entrada.

Nas terças a entrada é gratuita para todos os visitantes.

Terça a domingo 10 às 18 horas

Mais informações você encontra no telefone (21) 3812-1800 ou no site do museu: https://museudoamanha.org.br/

Museu do Futebol: São Paulo- SP

A prática do futebol como conhecemos foi fundada na Inglaterra no final do século XIX. Inicialmente um esporte de elite, foi trazido para o Brasil logo depois por Charles Miller, brasileiro descendente de ingleses que ao voltar de uma viagem para estudos no país de seus antecessores, trouxe a bola e a técnica para cá.

No Brasil, a prática se popularizou e virou paixão nacional, a ponto de ter um museu só com essa temática e que é um dos mais visitados no país. Mas o Museu do Futebol não foi pensando só para aqueles que já amam o esporte, através de curiosidades sobre ele e de grandes painéis que funcionam como glossário com termos próprios do futebol, até mesmo os visitantes leigos aprendem e se sentem atraídos pela temática.

Fundado em 2008 e situado no interior do que por fora são as arquibancadas do Estádio do Pacaembu, o museu possui vários itens de colecionador, exposições permanentes que contam a história do esporte e várias atividades interativas.

Montagem de fotos com imagens do interior do Museu do Futebol.
Museu do Futebol
Acervo pessoal.
São Paulo, 2019.
História do Futebol

Na Sala Origens, o visitante é convidado a ver fotografias que mostram o Brasil desde o fim do século XIX até a década de 1930, relacionando a história do país com o esporte. Em diversas salas, o visitante pode escolher nos aparelhos entre jogadores e jornalistas para narrar seus gols preferidos, assistir depoimentos de pessoas ligadas ao futebol e até mesmo assistir trechos do jogo histórico da Copa do Mundo de 1950, onde no Maracanã o Brasil perdeu a final para o Uruguai.

Na sala da História das Copas, existem totens dos anos em que ocorreram os campeonatos mundiais e contam a história da competição através de fotografias e vídeos que mostram o que estava acontecendo no Brasil e no mundo naqueles períodos.

Embaixo das arquibancadas são projetados vídeos com imagens de 27 torcidas de times brasileiros, essa é uma das partes mais atrativas com o som ressoando pelo local e quem é torcedor fica esperando seu time aparecer.

Interatividade e Acessibilidade

Além das exposições históricas, o museu é cheio de atividades interativas que o visitante pode participar. Algumas delas são esporádicas e mudam conforme a época. Outras são permanentes como a opção de chutar um pênalti e descobrir a velocidade que a bola atingiu.

Em relação à acessibilidade o museu é um dos mais preparados no Brasil. Tendo narração em libras para pessoas com deficiência auditiva e descrições em braile para aqueles com deficiência visual. Bem como, adequação do espaço com escadas rolantes e elevadores para quem tem dificuldades de locomoção.

Visitação

A entrada para o museu custa R$ 20,00 e R$ 10,00 a meia entrada.

Terça a domingo 09 às 17 horas

Mais informações você encontra no telefone (11) 3664-3848 ou no site do museu: https://www.museudofutebol.org.br/

Museu Oscar Niemeyer: Curitiba- Paraná

Também conhecido simplesmente como MON ou Museu do Olho, devido a sua arquitetura, o museu possui esse nome devido ao arquiteto brasileiro responsável pelo projeto da obra. Inicialmente pensada para abrigar o Instituto de Educação do Paraná, a construção da primeira estrutura iniciou-se no final da década de 1960. Já no final da década de 1970, quando a obra ficou pronta, os planos mudaram e ao invés de abrigar uma escola, a estrutura passou a ser utilizada como sede de secretarias do Estado do Paraná.

Foi somente em 2002 que Oscar Niemeyer foi convidado novamente para projetar um anexo a esse prédio. O que acabou se tornando a famosa construção em formato de olho.

E, que no mesmo ano passou a ser sede do então chamado Novo Museu, que em 2003 recebeu o nome do arquiteto responsável pela sua obra.

Um dos 4 Museus das dicas do texto: Museu Oscar Niemeyer.
Acervo pessoal.
Curitiba, 2019.
Museu de Artes Visuais

O Mon possui um acervo de aproximadamente 7 mil peças, entre fotografias, pinturas e esculturas. As quais são de renomados autores brasileiros ou não, como Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e Cândido Portinari.

As exposições são feitas em 12 salas de forma temporária, recebendo também obras de outras instituições e colecionadores para mostras periódicas. Em relação à exposição permanente, a principal atração é a mostra sobre a vida e obra do arquiteto Oscar Niemeyer, contando com fotografias e maquetes dos seus projetos.

Considerado pelo guia norte-americano Flavorwire em 2012 como um dos 20 museus mais bonitos do mundo, o local se preocupa com a acessibilidade. Possuindo rampas e elevadores que facilitam a locomoção e obras que podem ser tocadas por pessoas com deficiências visuais. 

Visitação:

A entrada para o museu custa R$ 20,00 e R$ 10,00 a meia entrada. Nas quartas a entrada é gratuita ´para todos os visitantes.

Terça a domingo 10 às 18 horas

Mais informações você encontra no telefone (41) 3350-4400 ou no site do museu: https://www.museuoscarniemeyer.org.br/home

Museu do Oratório: Ouro Preto- Minas Gerais

Escondido ao lado de uma Igreja e que muitas vezes acaba passando despercebido, está o Museu do Oratório. Certamente, foi o que mais me impressionou na nossa viagem por Ouro Preto em 2018. 

Para quem não está familiarizado com a tradição cristã católica, os oratórios são aquelas espécies de ‘nichos’ ou ‘armários’. Onde se guardavam as imagens de santos e que podiam ser levadas de um lugar para outro, ou simplesmente ficar preso nas paredes da casa.

Essa tradição de religiosidade popular se originou durante a Idade Média e foi trazida para o Brasil pelos Portugueses. Ela se espalhou rapidamente principalmente entre as pessoas mais humildes que moravam distantes dos centros urbanos e não tinham acesso às Capelas e Igrejas. Também fez sucesso entre aqueles que viviam viajando, como os tropeiros, e buscavam manter suas práticas religiosas pelo caminho carregando oratórios portáteis.

Oratórios no Museu do Oratório.
Museu do Oratório.
Acervo Pessoal.
Ouro Preto, 2018.
O Museu

O prédio onde se encontra o acervo de mais de 160 oratórios que datam do século XVII ao XX, foi utilizado inicialmente como depósito de objetos e documentos da Irmandade do Carmo, cuja igreja se localiza ao lado do local. Durante um curto período de tempo, serviu também de moradia para o Aleijadinho, importante escultor barroco brasileiro.

Em 1998 à partir da doação do acervo, o local passou por uma reforma e adequação do espaço para originar o Museu do Oratório. Considerada pelo museu como a única coleção do tipo no mundo, mais do que a religiosidade popular, lá podemos nos conectar com os hábitos, arte e cultura do Brasil Colonial, e entender como viviam e pensavam essas pessoas.

Oratórios

As exposições são divididas por tipos de oratórios, desde os mais simples, que geralmente eram utilizados em viagens e portanto eram portáteis e em tamanhos menores. Até mesmo aos que ocupavam um grande espaço e denotavam a riqueza de quem os possuísse.

Existem oratórios feitos em cartuchos de balas; outros que funcionavam como espécie de “capela particular” e que ficavam nos quartos dos fiéis. Os maiores, utilizados em grandes salões, geralmente eram feitos por grandes artistas do período, como os pintores responsáveis pelas pinturas das igrejas do local. Além do tamanho, eles se destacam pelo material utilizado na sua produção que denotavam através de seus ornamentos que pertenciam à elite. 

Também estão em exposição oratórios afro-brasileiros, que geralmente eram colocados nas senzalas e mostram aspectos do sincretismo religioso e influências estéticas africanas.

Visitação

A entrada para o museu custa R$ 5,00 e R$ 2,50 a meia entrada. Professores e estudantes, mediante comprovação, não pagam a entrada.

quarta a segunda 9h30 às 17h30 horas

Mais informações você encontra no telefone (31) 3551-5369 ou no site do museu: https://museudooratorio.org.br/

Referências

As informações presentes no texto foram baseadas nas disponíveis nos sites dos respectivos museus, listados ao longo das dicas. Bem como, nas nossas visitas a esses espaços realizadas entre 2018 e 2019.

Especial História + Viagem:

Se você ainda não conferiu nosso especial de férias, se liga que lá tem dicas sobre destinos no Brasil onde você pode aprender história passeando. Como Rio de Janeiro, Curitiba, Belém e Morretes.

As postagens sobre história e viagem continuam até o final do mês, todas as dicas são baseadas nas nossas viagens recentes pelo Brasil.


Caroline Dähne

Mestre em História, Cultura e Identidades e graduada em Licenciatura em História pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Desenvolve pesquisas relacionadas a Segunda Guerra Mundial, Discursos jornalísticos, Patriotismo e Nacionalismo, Imprensa brasileira e Propagandas de guerra. Atualmente atua como professora de História na rede particular de ensino na cidade de Curitiba-PR.

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