Proclamação da República: materiais para análise

Publicado por Caroline Dähne em

No dia 15 de novembro de 2019 a Proclamação da República Brasileira completa 130 anos. De lá pra cá, certamente muita coisa mudou. 

Para que os alunos compreendam esse processo de implantação da república em nosso país, é necessário realizar uma contextualização de como funcionava nossa sociedade naquele período.

Post do Instagram com a imagem da bandeira do Brasil com o título: Proclamação da República.

Pensando nisso, nós reunimos alguns materiais de análise e elaboramos algumas sugestões para que os professores possam utilizar em suas aulas de História do Brasil relacionados com esse processo. Então, confira abaixo:

Proclamação da República: materiais

Jornal

Certamente, uma opção para a análise em sala de aula sobre a Proclamação da República no Brasil é a análise de jornal. Nesse sentido, a publicação abaixo é do Jornal Diário Popular, divulgado no dia 18 de novembro de 1889. 

Esse texto em forma de carta, foi escrito pelo jornalista republicano Aristides Lobo. Nele, o autor salienta que o movimento de proclamação foi puramente militar e descreve o povo como bestializados àquela situação.

A imagem contém o símbolo da República Brasileira, acompanhado de um texto publicado no jornal Diário Popular em 1889, sobre a Proclamação da República.

Sala de aula

Em seguida, na análise da publicação de jornal, o professor pode fazer uma contextualização com os alunos sobre o processo de Proclamação da República no Brasil e, a partir da afirmação do jornalista, discutir o que ele quis dizer ao colocar o povo como bestializado.

Vídeo

Semelhantemente, outra possibilidade é utilizar o vídeo abaixo, do canal do youtube Entreconexões, com uma entrevista feita com o historiador José Murilo de Carvalho sobre os temas trabalhados por ele no seu livro “O Pecado Original da República” que foi lançado em 2017.

Sala de aula

Minha recomendação é o professor passar para os alunos o vídeo até o minuto 8:24 e, a partir disso solicitar que os alunos respondam no caderno algumas perguntas, tais como:

Qual a diferença que o historiador estabelece entre Democracia e República?

Qual é o pecado original da República descrito pelo historiador?

Posteriormente, o professor pode corrigir a atividade com os alunos gerando uma discussão a partir das respostas e então finalizar a aula elaborando no quadro um esquema sobre o processo de Proclamação da República no Brasil.

Trecho de livro

Ainda em relação ao livro O Pecado Original da República, o professor pode passar no quadro o seguinte trecho do livro:

Imagem com fundo da bandeira do Brasil, com uma frase do livro "O Pecado Original da República" de autoria do historiador José Murilo de Carvalho.

E a partir dele, questionar os alunos quais são essas marcas na vida política do país. Realizando com eles uma discussão sobre a participação política dos brasileiros ao longo da república. 

Dependendo do planejamento do professor, é possível elaborar com os alunos uma Linha do Tempo, demonstrando desde a Proclamação da República até os dias atuais, como a legislação, as estruturas de governo e a participação política da população se modificou. 

Música

Hino da Proclamação da República

A letra composta por José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque e com música de Leopoldo Miguez, o hino foi a princípio criado para substituir o hino nacional já existente. Embora os compositores tenham vencido o concurso para a criação do hino, a letra não conquistou a população e os militares no período.

Dessa forma, o governo optou pela manutenção do hino nacional anterior e pelo Decreto nº 171 de 20 de janeiro de 1890, essa composição foi escolhida para representar a Proclamação da República. Contribuindo assim, para a criação de novos símbolos nacionais voltados para os valores da República que estava sendo então implantada no país.

Sala de aula

A análise da letra do Hino da Proclamação da República pode ser realizada nas aulas de história, visando a discussão sobre o resgate de heróis como Tiradentes para criar um modelo de brasileiro ideal ou até mesmo a ideia de liberdade vinculada à noção de que numa república a voz do povo, teoricamente, seria ouvida.

Imagem com a letra do hino da Proclamação da República.

Samba enredo da Imperatriz Leopoldinense 1989

Em comemoração ao centenário da Proclamação da República, a escola de samba carioca Imperatriz Leopoldinense resolveu tratar sobre o tema naquele que seria considerado posteriormente um dos melhores samba enredos da história do carnaval brasileiro

A escola, que no ano anterior havia sido a penúltima colocada, se tornou então a campeã do Carnaval carioca no ano de 1989.

A letra composta por Niltinho Tristeza, Preto Jóia, Vicentinho e Jurandir, e interpretada por Dominguinhos do Estácio, utiliza um trecho do Hino da Proclamação da República e trata sobre temas como a decadência do Império brasileiro, a imigração e a abolição da escravidão.

Sala de aula

Na aula de história sobre Proclamação da República, o professor pode utilizar a letra e a música do samba enredo para análise. Propondo discussões sobre o processo da implantação da república e Identidade Nacional brasileira

Imagem com o símbolo da República Brasileira e a letra do samba enredo Liberdade, Liberdade! da escola de samba Imperatriz Leopoldinense.

Charges sobre a Proclamação da República

Uma opção de material para ser utilizado em sala de aula na hora de trabalhar a Proclamação da República que possibilita inúmeros questionamentos com os alunos é a charge. 

Utilizar esse recurso imagético, contribui não só no aprendizado desse tema, como também na construção da habilidade de análise de imagem. Abaixo sugerimos a utilização de algumas charges de acordo com as suas temáticas.

Crise da Monarquia

Questão Religiosa

Nessa charge, Dom Pedro II é retratado diante do Papa Pio IX, com o auxílio da legenda pode-se realizar questionamentos para os alunos sobre a relação da monarquia brasileira com a Igreja Católica nos últimos anos do Império.

Charge sobre a Questão religiosa.
Título: A questão religiosa
Legenda: “Enfim… deu a mão à palmatória!”
Questão Militar

A charge abaixo pode ser utilizada quando o professor estiver falando sobre os elementos que contribuíram para a Crise no Império brasileiro. Principalmente para levantar questionamentos sobre os motivos que levaram à Questão Militar e, consequentemente, a perda de apoio de um dos pilares de sustentação do governo, os militares que protagonizaram o golpe da Proclamação da República.

Dom Pedro II

A charge abaixo traz o Imperador Dom Pedro II, sentado numa cadeira com um jornal intitulado “O Paiz” no seu colo e com a aparência de quem está dormindo. Essa imagem já apareceu em questões de vestibular, e consistia numa crítica a forma como o governante estava lidando com as crises pelas quais o Brasil estava passando nos últimos anos do Império. 

Pode ser utilizada em sala de aula na discussão sobre a Crise da Monarquia no Brasil.

Charge de Dom Pedro II dormindo.

República

A charge abaixo traz elementos que foram incluídos na primeira Constituição da República brasileira em 1891. A partir dela, o professor pode realizar uma atividade baseada num quadro comparativo entre essa constituição e a anterior (1824, Brasil Império).

Outra opção, à partir da charge, é analisar a reação das pessoas que aparecem na charge, novamente relacionando com o conceito de Bestializados. 

Charge sobre a Primeira Constituição Brasileira após a Proclamação da República.
NOVAES, Carlos Eduardo; LOBO, César. História do Brasil para principiantes. São Paulo: Ática, 1998.

Proclamação da República em sala de aula

Certamente existe uma ampla variedade de materiais que os professores podem utilizar para trabalhar em sala de aula a temática da Proclamação da República. 

Independente do material de análise escolhido, é importante que o professor contextualize a temática, demonstrando a perda de apoio que a Monarquia vinha passando e o seu contínuo enfraquecimento, o surgimento de um movimento republicano no país e então o processo de proclamação.

Outro ponto importante de ser ressaltado é a falta de participação popular no movimento e a manutenção de uma sociedade marcadamente agrária mesmo após proclamada a República.


Caroline Dähne

Mestre em História, Cultura e Identidades e graduada em Licenciatura em História pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Desenvolve pesquisas relacionadas a Segunda Guerra Mundial, Discursos jornalísticos, Patriotismo e Nacionalismo, Imprensa brasileira e Propagandas de guerra. Atualmente atua como professora de História na rede particular de ensino na cidade de Curitiba-PR.

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