Rotina de estudos: como criar?

Publicado por Caroline Dähne em

Se você está cursando o Ensino Médio provavelmente já se deparou várias vezes com notícias de jovens que passaram em 2,3,5 ou até 10 vestibulares diferentes para Medicina estudando mais de 12 horas por dia. Contudo, isso só é possível devido a uma rotina de estudos!

Embora eles mereçam o reconhecimento do seu esforço, é importante salientar o quanto essa cena nos retrata o complicado cenário universitário em nosso país.

Nesse sentido, a pouca oferta de vagas em universidades públicas e os altos custos dos cursos ofertados em unidades particulares criam um clima de ansiedade em relação às provas de vestibulares nos jovens brasileiros.

Desse modo, concursos, vestibulares e o próprio Enem, socialmente passaram a ser entendidos como rituais de passagem da adolescência para uma juventude de sucesso.

Assim, nesse cenário a prova se transforma em um gatilho que pode despertar sentimentos de angústia e diminuir as chances de um bom desempenho devido a esse estado emocional abalado.

Provas e o estado emocional:

Sem dúvida, é consenso entre educadores e psicólogos que para um resultado positivo nesses processos é necessário uma autonomia do aluno na organização de um planejamento da sua rotina de estudos e um autocontrole na preparação e no decorrer da prova.

Dito isso, é importante lembrar que tem pessoas que não tem como objetivo seguir uma carreira acadêmica, ou sequer cursar uma graduação. E está tudo bem com isso! Provavelmente não é o sonho que os pais tiveram para essa pessoa. Mas existem inúmeras oportunidades e rumos que podem ser dados para a vida sem necessariamente envolver o processo de vivenciar um curso de graduação.

Mas se você sonha com seu diploma universitário, está na hora de planejar como atingir esse sonho! Pensando nisso, elaboramos algumas dicas de como se organizar para criar uma rotina de estudos que te ajude a chegar lá!

Post do Instagram sobre Rotina de Estudos

1. Motivação + Objetivo = Criação da rotina

Tem um diálogo no livro Alice no País das Maravilhas, escrito por Lewis Carroll, que resume a ideia central das nossas dicas:

Imagem com trecho do livro Alice no País das Maravilhas.

Para criar uma rotina de estudos que te ajude a alcançar o seu objetivo é necessário que você tenha claro quais são seus planos. Logo, é a partir disso que podemos elaborar uma estratégia que te ajude na elaboração dessa rotina.

“Mas eu não faço a menor ideia do que quero fazer da minha vida!”

Colega, deixa eu te contar uma coisa, a maioria das pessoas não faz! E mesmo aquelas que tem uma certeza absoluta desde criancinhas do que querem fazer pelo resto das suas vidas, podem perceber que na prática aquilo não as deixa felizes e consequentemente partem em busca de outras áreas.

Nesse sentido, uma dica para tentar resolver a indecisão ou a completa ignorância do que fazer, é realizar testes vocacionais. Existem inúmeros gratuitos na internet e algumas pessoas conseguem se decidir através deles.

Por conseguinte, outra dica é aquele famoso ditado “quem tem boca vai a Roma”. Pesquise e pergunte para profissionais das suas áreas de interesse sobre a rotina da profissão. Use a internet a seu favor e descubra sobre o mercado de trabalho nessas áreas. Assim você terá uma noção real se o teu sonho é passível de se tornar realidade ou não.

2. Meta

Definido o objetivo, o segundo passo é pesquisar os editais de vestibulares das universidades que você planeja tentar.

Dessa Maneira, a vantagem de ler o edital é que lá você descobre se há áreas específicas que você fará na prova (eu sei que é chato, mas organização exige estratégia!). Assim, sabendo quais são elas e os conteúdos que serão cobrados, você estabelece um plano de estudos dentro do prazo disponível até a prova. Ou seja, elabora um cronograma daquilo que precisa ser realmente estudado, evitando usar seu tempo estudando temas que não serão cobrados.

3. Autoconhecimento

Certamente, não existe um plano de estudos infalível. (desculpa aê!)

Tudo vai depender do seu perfil e da sua capacidade de saber seus pontos fortes e dificuldades, o segredo é ADAPTAR! É evidente que quando você conhece sua rotina e seus potenciais fica fácil escolher métodos de estudo e materiais que estimulem teu aprendizado.

Por isso lá vai uma dica: faça uma lista das suas atividades fixas durante a semana (sério, faça! Organização e listas são almas gêmeas!)  Assim fica mais fácil perceber qual é o seu tempo livre e encaixar tempo para estudar.

É claro que se você é aluno e ao mesmo tempo trabalhador ou faz cursinho, deve estar lendo esse texto e pensando:

“ATA! Qual tempo livre queridinha? ”

Acredite, com a lista é possível achar brechas, nem que seja o tempo no trajeto de um lugar para o outro. Assim, quando conseguir sentar no ônibus aproveite esse tempo para ler, ou use o fone de ouvido e em vez do último sucesso do “Mc não sei o que” escute vídeo aulas.

Logo, não é sobre o tempo totalmente livre que você tem, mas sobre aquele aparentemente ocupado que você pode reaproveitar!

4. Hábito = Rotina!

Inquestionavelmente, organização é questão de transformar sua rotina de estudos em hábito. Mas, para isso, não adianta planejar uma maravilha de rotina e não cumprir!

Por isso, seja realista! Crie um plano possível de ser realizado.

Certamente, uma rotina de estudos com 12 horas por dia não é nem recomendada pelos educadores e profissionais da saúde. Isso justamente pelo fato que o exagero vai causar cansaço que provavelmente virá acompanhado da desistência e quando você ver só sobrou frustração.

Dessa forma, é muito mais honesto consigo mesmo estipular um plano que, com dedicação você vai conseguir comprimir, e o mais importante, sem surtar!

5. Pausas

Seguindo o raciocínio do tópico anterior, é fundamental que na sua rotina você estipule momentos de descanso. Isso mesmo, DESCANSO!

Não abra mão de todas as suas atividades em prol da rotina. É claro que a tarde toda jogando videogame em ano de vestibular “já era”. Mas conciliar os estudos com a prática de algum esporte, um almoço de domingo com a família ou uma volta na quadra com o seu cachorro é essencial para manter a saúde física e mental!

Da mesma maneira, é claro que sua família sonha com você formado, mas é um combo = formado e feliz! Isso vale não só para entrada na Universidade, mas para o decorrer do curso também. É evidente que não é normal estar triste ou angustiado por causa dos estudos o tempo todo! Por isso, se isso está acontecendo com você procure ajuda de um profissional.   😉

6. Ambiente

Na cama não!

Certamente, o lugar escolhido para estudar também tem que ser estratégico. Pode parecer bobagem, mas o ambiente pode contribuir muito para um melhor aprendizado.

Dessa forma, locais silenciosos*, bem iluminados, com materiais selecionados previamente, de preferência com uma mesa que você possa colocar suas coisas e, principalmente com poucas distrações (xô redes sociais!) são ideais para estudar.

*É evidente que algumas pessoas têm facilidade para estudar ouvindo música, assim como, estudos atuais comprovam a eficácia dessa prática. Mas cuidado: apenas estude ouvindo música se isso não for te distrair!

Da mesma forma, se você não tem um espaço assim em casa, não se desespere! Existem bibliotecas públicas onde você pode sentar e estudar.

Inclusive conheça a biblioteca da sua escola, lá pode ser o ambiente perfeito para isso!

7. Mãos à obra!

Com toda essa organização está na hora de efetivamente estudar, para isso, lembre-se de escolher a melhor opção de acordo com o teu perfil. Algumas sugestões:

  • Retomada do dia: revisar aquilo que foi visto na aula do dia, tirar dúvidas, ver vídeo aulas sobre o tema, elaborar resumos e até mesmo aprofundar teu conhecimento sobre o tema.
  • Dias específicos para cada disciplina: nesse método é importante lembrar da dica de ler o edital previamente, assim você pode se dedicar nas áreas que tem maior peso de questões e focar em não zerar nas outras áreas (que provavelmente são as que você tem mais dificuldade, esse não é o momento de tentar aprender aquilo que não aprendeu durante seus mais de 10 anos de escola).
  • Resolver provas de vestibulares antigos: listas de exercícios da instituição que você está tentando entrar contribui muito na estratégia de conhecer a metodologia da prova e ter uma prévia do que te aguarda.
  • Redações: ser bom em escrever exige treino, seja da estrutura dos textos ou da própria gramática. Um aluno leitor está na vantagem já que tem um vocabulário maior além de facilidade em formular opiniões.
  • Atualidades: “informação é poder” já diz o ditado, esteja atento às notícias, procure ler/ouvir jornais e perceber o que está acontecendo no presente. Muito provavelmente isso te ajudará na redação e na resolução das questões do ENEM.

Pronto! Se você terminou a leitura, demonstrou que tem força de vontade (rs!), e já está preparado para criar uma rotina de estudos!

Assim, pra fechar com chave de ouro esse motivacional, presta atenção nesse trecho da música “Levanta e Anda” do Emicida. E adota esse lema pra vida:

Imagem com trecho da música Levanta e Anda co cantor Emicida.

Caroline Dähne

Mestre em História, Cultura e Identidades e graduada em Licenciatura em História pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Desenvolve pesquisas relacionadas a Segunda Guerra Mundial, Discursos jornalísticos, Patriotismo e Nacionalismo, Imprensa brasileira e Propagandas de guerra. Atualmente atua como professora de História na rede particular de ensino na cidade de Curitiba-PR.

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