Crise de 1929: Plano de aula/ estudo

Publicado por Caroline Dähne em

A Crise de 1929 abalou o mundo capitalista no século XX. Mas a Grande Depressão, como ela também é conhecida, gerou muito mais do que apenas uma crise econômica.

Nesse sentido, seus desdobramentos impactaram também a política interna e externa aos EUA, contribuindo inclusive para o contexto em que se desenvolveu a Segunda Guerra Mundial.

Post do Instagram com o título da publicação: Crise de 1929.

Crise de 1929 no Enem/Vestibular

Todo ano existem alguns temas específicos que tendem a ser cobrados com mais ênfase nos vestibulares e no Enem. No caso da disciplina de história isso ocorre com assuntos que completam aniversário terminados em 0, como já falamos aqui no texto 2019: Temas de História para Vestibular e ENEM.

Neste ano, isso ocorre com a Crise de 1929 que completa 90 anos e possui muitas chances de ser cobrado nas provas do gênero pelo país. 

Pensando nisso, nós do Nas Tramas de Clio elaboramos um plano de estudos que pode colaborar com os alunos que estão revisando esse tema para o vestibular e Enem. E também para os professores que estão preparando aulas sobre o tema.

Crise de 1929: Contexto Histórico

Cerca de pouco mais de um ano antes do final da Primeira Guerra Mundial os EUA decidiu entrar ao lado da Grã-Bretanha e França na Tríplice Entente. Essa participação do país, ainda que tardia, é entendida como um dos fatores para que essa aliança entre os países fosse a vencedora do conflito.

Nesse sentido, os recursos financeiros, bélicos e humanos recrutados pelo país durante seu período de neutralidade frente a guerra contribuíram tanto para sua participação, quanto para transformar os EUA na principal potência econômica mundial após o conflito.  

Desse modo enquanto a Europa estava destruída pela guerra e com a capacidade produtiva fragilizada, o eixo econômico foi transferido para os EUA que assumiram o papel de principal fornecedor de produtos.

Professor: 

Procure fazer uma revisão com os alunos sobre o conteúdo da Primeira Guerra Mundial e compare os impactos econômicos para as indústrias dos países que tiveram conflitos em seus territórios com os que puderam manter sua capacidade produtiva.  

American Way of Life

Com o final da guerra e a transformação dos EUA em potência econômica mundial, a década de 1920 passou por um momento de euforia econômica marcada pelo crescimento do consumo. Esse período passou a ser chamado de “Roaring Twenties” ou os “Loucos anos vinte”. 

Além de produzir em grande escala, os EUA passaram a ser a maior credora mundo, fornecendo empréstimos para que os países europeus pudessem se recuperar da destruição causada pela guerra.

O American Way of Life, ou na tradução O Estilo de Vida Americano, se tornou então, muito mais do que um estímulo às compras. Passando a ser um padrão cultural, constantemente divulgado através de propagandas nas quais a felicidade só era adquirida através do consumo.

Professor: 

Uma atividade que pode ser realizada sobre esse tema é a análise de propagandas ou imagens desse período, demonstrando como sempre a felicidade dos personagens retratados está aliada ao consumo de eletrodomésticos ou carros.

Como no caso da imagem abaixo:

Ilustração mostra uma mulher com seus eletrodomésticos e um homem com seu carro representando o American Way of Life.
A ilustração retrata o American Way of Life baseado na felicidade adquirida através do consumo. Disponível em: https://didactalia.net/pt/comunidade/materialeducativo/recurso/american-way-life/174b8c39-0481-473f-8682-1a4f54b8e87d

Investimento

No país, o consumo foi estimulado pelas ofertas de crédito, o que facilitou a Especulação Monetária, na qual pessoas compram ações de empresas esperando que elas valorizem para que depois possam ser revendidas por um valor maior.  O que, consequentemente, aumentou os investimentos no mercado financeiro.

Como funciona a Bolsa de valores?

Ela é o local onde ocorrem negociações financeiras de vendas e compras de ações e títulos de empresas. Dessa forma, por ser considerada um lugar seguro, a Bolsa de Valores atua como mediadora entre esses investidores.

Nesse sentido, a empresa vende ações buscando verba para investir. Quem compra a ação, compra um “pequeno pedaço” dessa empresa, se tornando sócio. A cada certo período de tempo, as empresas dividem seus lucros com os acionistas.

Professor:

É muito provável que seus alunos não saibam como funciona uma Bolsa de Valores. Portanto, procure explicar de maneira simples o que ocorre nesse lugar, para que faça mais sentido a explicação sobre a amplitude do impacto da Crise de 1929. 

Sendo assim, você pode utilizar esquemas como os abaixo que mostram tanto como ela funciona, quanto o papel da Bolsa na economia do país.

Esquema que demonstra como funciona a Bolsa de Valores.
Como a Bolsa de Valores faz a economia do país funcionar. Disponível em: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR77370-6009,00.html

Falsa prosperidade

O grande problema nisso tudo, foi que a grande quantidade de compradores criou uma falsa sensação de prosperidade. A qual foi abalada com duas situações:

  • A Europa com os empréstimos feitos com os EUA conseguiu recuperar sua capacidade produtiva, o que, consequentemente, fez com que reduzisse a compra de produtos norte-americanos. 
  • O salário dos trabalhadores estadunidenses não aumentou, consequentemente, eles não compravam as mercadorias produzidas.

Superprodução

Mesmo com a diminuição da importação dos produtos norte-americanos a produção não foi reduzida, o que criou grandes estoques de produtos que não eram consumidos. 

Nesse caso, havia um desequilíbrio entre a produção X o consumo, causado pela grande oferta de produtos mas pouca procura.

Quinta-feira Negra = Crise de 1929

No dia 24 de outubro de 1929 houve o colapso da Bolsa de Nova York, gerado pela grande quantidade de títulos e ações colocados à venda, cerca de 70 milhões, mas sem que houvesse quem os comprasse. 

Dessa forma, o resultado com a Quebra da Bolsa foi que os preços caíram, os lucros despencaram, diversas empresas e bancos faliram, fábricas pararam de produzir por falta de crédito, milhares de pessoas ficaram desempregadas e muitos investidores cometeram suicídio.

Professor: 

Para trabalhar os impactos econômicos e sociais da crise para a população norte-americana, você pode utilizar as fotografias abaixo e analisá-las junto com os alunos em sala de aula.

  • Tradução da Imagem: Placa de publicidade de uma feliz família “American way of life” passeando num automóvel novo.
  • WORLD’S HIGHEST STANDARD OF LIVE (“O melhor padrão de vida do mundo”) 
  •  THERE´S NO WAY LIKE THE AMERICAN WAY (“Não há melhor estilo de vida que o americano”).
Fotografia de família em situação de miséria em decorrência da Crise de 1929.
Retrato de Florence Owens Thompson e seus filhos. Fotógrafa Dorothea Lange 1936. Disponível em: https://phantasmagorics.wordpress.com/2015/03/19/fotografas-pioneiras/

Crise de 1929 ou Grande Depressão

Reunindo a Crise da superprodução com a Quebra da Bolsa de Valores de Nova York o ano de 1929 e os anos seguintes viram a decadência do liberalismo econômico nos EUA. 

O que gerou, uma reação em cadeia, afetando diversos outros países. Entretanto uma exceção foi a URSS, que por ter implantada o regime socialista, não fazia negociações econômicas com os EUA.

Professor:

Uma alternativa para abordar essa reação em cadeia é utilizar em análise o Mapa abaixo que mostra os países afetados. 

Mapa com esquema sobre os impactos da Crise de 1929 em outros países.
Mapa com os países impactados pela Grande Depressão. Disponível em: https://player.slideplayer.com.br/3/1269028/data/images/img40.jpg

Crise de 1929 e a ascensão do Nazifascismo 

Como os EUA tinham relações econômicas com quase todo o mundo, lembrando que menos com a URSS, os impactos da crise foram sentidos como uma reação em cadeia. 

Nesse sentido, diversos países tiveram suas economias, sociedades e políticas afetadas por ela. Um desses casos é a Alemanha, que após a crise chegou a marcar cerca de 44% de taxa de desemprego em seu território.

Assim essa situação causou diversos questionamentos ao modelo de Democracia Liberal na Europa pós 1929, consequentemente ideias que propunham uma maior intervenção do Estado na economia passaram a ganhar espaço.

Totalitarismo

Nesse sentido, algumas ideias de extrema-direita que propunham essa intervenção econômica passou a ser vista como alternativa política. Assim, a dominação do Estado em todos os setores da vida social foram propostos pelos Regimes do Fascismo e Nazismo que na década de 1930 assumem o poder em países europeus.

Crise de 1929: Impactos no Brasil

De maneira idêntica, no Brasil os impactos da crise também foram percebidos, isso devido ao principal produto de exportação do país ser o café e os EUA consumirem 80% do café produzido aqui.

Visto que, naquele momento, a presidência do país era escolhida de forma alternada a cada 4 anos entre um representante de Minas Gerais (grande produtor de laticínios) e um de São Paulo (grande produtor de café), naquilo que é conhecido como Política Café com Leite.

Em 1930, essa política foi rompida visto que os paulistas não acreditavam que um representante de Minas Gerais seria capaz de melhorar a economia para o setor cafeeiro. Esse cenário conturbado gerou profundas mudanças políticas no país, vendo o fim da República Velha que foi substituída pelo governo de Getúlio Vargas através da Revolução de 1930.

Queima do Café

Nesse sentido, uma das medidas tomadas pelo governo de Vargas visando recuperar a economia brasileira pós crise foi comprar o café que estava estocado e colocar fogo nele. Procurando dessa forma, através da diminuição da oferta do produto, um aumento dos preços. Ao todo foram queimadas cerca de 78,2 milhões de sacas compradas e queimadas pelo governo.

Professor:

Ao explicar sobre o impacto da Crise de 1929 no Brasil você pode realizar com os alunos uma análise de charges do período que mostram as transições políticas que ocorreram naquele contexto. 

Nesse sentido, outra opção é realizar a análise de fotografias das queimadas de café, comentando sobre como essa medida colaborou com a economia do país naquela situação.

Charge que demonstra a Política café com leite.
Política Café com Leite. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/primeira-republica/
Charge que retrata a Revolução de 1930.
Revolução de 1930. Charge do ilustrador Mollica. Disponível em: http://www.historialivre.com/brasil/vargas_rev30.htm
Fotografia da queima do café realizada no Brasil em decorrência da Crise de 1929.
Queima do café em São Paulo na década de 1930. Revista Época 2008. Disponível em: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI20415-15227-1,00-DO+CAFE+A+INDUSTRIALIZACAO.html

New Deal

Para tentar recuperar a situação econômica dos EUA, o novo presidente eleito Franklin Delano Roosevelt colocou em prática no ano de 1933 o plano econômico conhecido como New Deal, na tradução “novo acordo”.

Desse modo, esse plano baseado no Keynesianismo, pensamento do economista John Keynes, consistia em utilizar o Estado como regulador da economia em determinados momentos. Contudo, essas medidas de intervenção do Estado deveria ser feitas sem romper com o Capitalismo.

Medidas

As medidas utilizadas pelo governo norte-americano nesse período consistiam principalmente em:

  • Controle de preços pelo governo;
  • Criação de várias obras públicas com o objetivo de criar ofertas de emprego;
  • Criação de Direitos Trabalhistas, como a diminuição de horas trabalhadas aliada a um salário mínimo, para que mais pessoas pudessem conseguir empregos.  
  • Empréstimos para que fazendeiros pudessem retomar suas produções;

Por fim, o programa surtiu efeito diminuindo o desemprego e estimulando o retorno das produções industriais. Apesar disso, foi somente com o início da Segunda Guerra Mundial que a economia se restabeleceu totalmente através das mobilizações pelos esforços de guerra.

Professor:

Uma maneira de retomar o conteúdo do New Deal e a relação dele com o contexto anterior e posterior para os EUA pode ser feita através da resolução de uma questão do ENEM de 2017.

Mas a Primeira Guerra Mundial foi seguida por um tipo de colapso verdadeiramente mundial, sentido pelo menos em todos os lugares em que homens e mulheres se envolviam ou faziam uso de transações impessoais de mercado. Na verdade, mesmo os orgulhosos EUA, longe de serem um porto seguro das convulsões de continentes menos afortunados, se tornaram o epicentro deste que foi o maior terremoto global medido na escala Richter dos historiadores econômicos — a Grande Depressão do entre guerras.

HOBSBAWM, E. J. Era dos extremos: o breve século XX (1914 1991). São Paulo: Cia. das Letras, 1995.

A Grande Depressão econômica que se abateu nos EUA e se alastrou pelo mundo capitalista deveu-se ao(à)
a) produção industrial norte-americana, ocasionada por uma falsa perspectiva de crescimento econômico pós-Primeira Guerra Mundial.

b) vitória alemã na Primeira Grande Guerra e, consequentemente, sua capacidade de competição econômica com os empresários norte-americanos.

c) desencadeamento da Revolução Russa de 1917 e a formação de um novo bloco econômico, capaz de competir com a economia capitalista.

d) Guerra Fria, que caracterizou o período de entreguerras, provocando insegurança e crises econômicas no mundo.

e) tomada de medidas econômicas pelo presidente norte-americano Roosevelt, conhecidas como New Deal, que levaram à crise econômica no mundo.

Retomada

Certamente, a Grande Depressão e o colapso econômico ocasionado por ela são temas fundamentais para compreender o século XX. 

Professor:

Sobretudo, busque adaptar as sugestões de análises de imagens para a realidade da sua escola. Lembre-se de demonstrar aos alunos quais as relações podem ser estabelecidas entre a Crise de 1929 e as Guerras Mundiais. Assim como, busque comentar que esse pode ser um dos temas cobrados nos vestibulares e Enem deste ano.

Aluno:

Primeiramente, lembre-se que só a leitura dos assuntos não basta para um bom resultado em vestibulares e Enem, busque também realizar exercícios para fixar o tema. Foque em aprender as relações entre esse tema e os impactos causados nas economias e na política em forma de reação em cadeia. Boa sorte!

Usou alguma das nossas dicas? Conta pra gente nos comentários ;)

Caroline Dähne

Mestre em História, Cultura e Identidades e graduada em Licenciatura em História pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Desenvolve pesquisas relacionadas a Segunda Guerra Mundial, Discursos jornalísticos, Patriotismo e Nacionalismo, Imprensa brasileira e Propagandas de guerra. Atualmente atua como professora de História na rede particular de ensino na cidade de Curitiba-PR.

2 comentários

Ana Braun · 03/10/2019 às 23:21

Parabéns pelo trabalho, meninas! Tudo muito bonito e bem feito. Tenho orgulho da nossa geração se esforçando pra fazer a diferença, pra não passar em branco na história!

    Caroline Dähne · 07/10/2019 às 23:41

    Obrigada Ana!
    A admiração é recíproca! Nada mais bonito do que compartilhar conhecimento!

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