Questões dissertativas: como responder?

Publicado por Caroline Dähne em

Tudo estava indo bem na prova, até que surgem as questões dissertativas e o pesadelo começa. Inegavelmente, esse cenário é mais comum do que parece, seja em concursos, segunda fase de vestibular, avaliações, ou até mesmo nas tarefas de casa.

Os alunos se preocupam com um bom desempenho nas questões de múltipla escolha (as de marcar X). Assim, estudam diversas técnicas sobre como resolve-las, mas esquecem das questões dissertativas que envolvem interpretação e escrita.

Por isso, se esse cenário pareceu parte do teu cotidiano, preste atenção nas nossas dicas para melhorar seu desempenho e não deixar mais questões dissertativas em branco.

Post do Instagram com o título da postagem: Questões dissertativas como responder?

O que são as questões dissertativas?

São aquelas questões que envolvem uma pergunta que precisa ser respondida com as suas próprias palavras. Nesse sentido, ela não te oferece possíveis respostas e, portanto, depende da sua capacidade de interpretação, conhecimento sobre o assunto e eloquência na escrita. 

Estrutura das questões dissertativas

Primeiramente, nas questões dissertativas é comum o enunciado trazer um texto de apoio que fundamenta o raciocínio para chegar a uma resposta.

Em seguida, vem a pergunta que pode possuir uma temática específica ou vários temas que se relacionam, nesse caso, inclusive de maneira interdisciplinar.

Por último, vem as linhas disponíveis para a resposta. Certamente, esse último item geralmente passa despercebido pela maioria das pessoas, mas nos revela o quanto de conteúdo o autor da questão acredita ser necessário para a resposta.

Imagem explicando a estrutura de uma questão dissertativa do processo seletivo da UFPR de 2018.

Referência: UFPR- Processo seletivo 2018 Edital 42/2017 – NC – Prova: 27/11/2017

Técnicas para responder questões dissertativas:

Assim como para produzir uma boa redação, o bom desempenho nas questões dissertativas requer estratégias e treinamento.

Naturalmente que conhecimento é poder, conforme afirma o ditado. Mas, para alcançá-lo é preciso criar o hábito de estudar. Desse modo, quanto mais você treinar, melhor será o resultado obtido.

Número de linhas

Na maioria das vezes, as questões dissertativas, ao contrário da redação, não estipulam o número mínimo ou máximo para a resposta.

O que geralmente faz com que apareçam respostas de uma linha só, as quais demonstram a possibilidade do despreparo do aluno. Assim como, aquelas respostas enormes, que parecem que o aluno está desesperado em mostrar seu conhecimento, ou até mesmo a sua incapacidade de interpretar o que a questão pede.

Como fazer?

Certamente, não há necessidade de ultrapassar o número de linhas estipulados, portanto, utilize as linhas disponíveis para escrever sua resposta de forma objetiva, acrescentando apenas aquilo que o enunciado solicita.

Norma culta da Língua Portuguesa

Evidentemente, entre os erros mais frequentes estão as dificuldades com a gramática. Nesse sentido, mais do que simples erros na escrita das palavras, a utilização de gírias e abreviações, assim como, as repetições de informações e as incoerências demonstram que o aluno não consegue desenvolver uma linha de raciocínio de forma organizada.

Como melhorar?

Não existe fórmula mágica! Logo, é necessário realizar muita leitura para aumentar seu vocabulário e entender como organizar frases de forma coerente. Assim como para as redações, o treinamento é essencial para melhorar sua escrita.

Por isso, lembre-se sempre de evitar o uso de gírias e abreviações.

Nesse sentido, se não tem certeza como escreve corretamente alguma palavra, substitua por um sinônimo.

Da mesma forma, releia aquilo que você escreveu para perceber se fez repetições de palavras ou ideias.

Desenvolvendo o raciocínio

É evidente que, não adianta saber o conteúdo ou ter domínio da escrita, se não souber o que a pergunta está pedindo. Desse modo, a interpretação é parte fundamental para o bom desempenho em qualquer tipo de questão.

Como fazer?

O primeiro passo é entender a pergunta, para isso, leia o enunciado e grife as palavras-chave principais. Da mesma maneira, faça isso também no texto de apoio. Assim, essas palavras-chave podem nortear sua resposta.

Logo, é necessário que a leitura da pergunta seja feita com atenção, para perceber se ela pede mais que uma resposta. Certamente, isso é muito comum, a pergunta pede duas coisas diferente, e o aluno responde apenas uma parte, ficando assim só com a nota parcial.

Começo, meio e fim

Por isso, lembre-se que é preciso que a resposta siga uma sequência de raciocínio, como se você estivesse contando uma história. Portanto, é necessário que sua frase tenha começo, meio e fim.

Nesse sentido, outra dica, é pensar naquilo que o corretor espera ler na resposta. Assim, leia mentalmente e imagine que você está respondendo oralmente ao professor, ou que está apresentando o tema para alguém que não sabe sobre ele. Naturalmente que a preocupação com o leitor auxiliará para que você responda de forma mais coerente.

Foco

Certamente que, não adianta escrever 20 linhas perfeitas sobre o tema, se você não responder especificamente o que as questões dissertativas solicitam.

Por isso, procure sempre se ater àquilo que foi perguntado. Portanto, colocar um monte de dados avulsos pode parecer uma falha na sua interpretação da questão.

Como fazer?

Primeiramente, preste atenção aos verbos na frase da pergunta, eles são os comandos que você deve seguir. Por exemplo, “cite”, “compare”, “justifique”, “explique”, “descreva”, essas palavras direcionam qual a forma de resposta solicitada na questão.

  • Nesse sentido, não há necessidade de explicar o conteúdo se a questão pede apenas que você “cite” exemplos sobre o tema.

Assim como, não basta descrever duas características se a questão solicite que você as compare.

Plural

Similarmente, verifique também se a questão solicita a resposta no plural, nesse caso, escrever apenas uma resposta será insuficiente, gerando pontuação parcial.

Ler a prova

Certamente que, se você ler a prova com atenção, é muito grande a probabilidade da resposta ou de dicas de reposta estarem presentes em outras questões dissertativas ou de múltipla escolha.

Mas lembre-se, se você desconhece o conteúdo, mesmo que a reposta esteja na sua frente é provável que você não perceba.

Desse modo, estar preparado e realizar revisões é a melhor forma de garantir que na hora da prova você saberá a resposta correta.

Letra legível

É evidente que não precisa ter uma letra perfeita e redondinha. Mas, é meio lógico que se o professor/corretor não entender sua letra, ele não terá como corrigir.

Portanto, se quando você escreve parece aquelas famosas “letras de médico”, procure treinar sua caligrafia!

Do mesmo modo, evite também usar muitas “firulas” nas letras, como coraçõezinhos no lugar do pingo do “I”, esse tipo de coisa tira a formalidade da avaliação e dá a entender que você não a leva a sério o suficiente.   

Estrutura da resposta

Além disso, sempre que precisar escrever alguma coisa, seja questões dissertativas, uma redação, ou até mesmo um projeto de pesquisa, faça um rascunho.

Nesse caso, se não tiver espaço disponível, escreva no espaço em branco na margem das questões dissertativas mesmo. Naturalmente, o importante antes de iniciar a escrita da resposta é pensar qual será a estrutura dela.

Esboço:

Desse modo, nesse esboço a ideia é colocar em tópicos num esquema pequeno aquilo que não pode faltar na sua resposta. Em seguida, busque ordenar esses tópicos em ordem de importância numa sequência que respeite a estrutura básica de introdução + desenvolvimento + conclusão.

Mas, não esqueça: esse “boneco de resposta” precisa atender ao número de linhas disponíveis para a resposta. Nesse caso, se parecer muita informação, corte tudo aquilo que não seja necessário.

Demonstrando conhecimento nas questões dissertativas:

Naturalmente que, em algumas áreas não basta que você entenda o processo, é preciso provar que sabe o conteúdo. Para isso, existem alguns tipos de informações que demonstram que você possui conhecimento. São elas:

  •             Datas;
  •             Nomes;
  •             Contextos;
  •             Relações;
  •             Conceitos;

Nesse caso, sempre que souber esse tipo de informação e te pareça pertinente para o que a questão solicita, inclua na sua resposta.

Conectando informações nas questões dissertativas:

Também, procure escrever com coesão, juntando as informações e relacionando-as sempre que possível.

Em síntese, isso demonstra o domínio do conteúdo ao conseguir conectar diferentes contextos, assim como sua capacidade de escrita.

Nesse caso, lembre-se sempre de focar para que sua resposta faça sentido para aquela pessoa que for fazer a sua leitura e correção.

Erros comuns em questões dissertativas:

Questões dissertativas em branco:

É evidente que, deixar questões sem resposta passam a impressão de descaso com a avaliação. Sem falar que, em uma prova que misture questões de múltipla escolha com questão dissertativa, o aluno que deixa a de escrever em branco demonstra a possibilidade de ter “chutado” toda a avaliação.

Por isso, se você conseguiu identificar pelo menos uma parte do que a questão solicita, tente escrever. Nesse caso, se parte dela estiver correta, você pode conseguir pelo menos uma nota parcial.

“Encher linguiça”

Por outro lado, existe sempre aqueles casos nos quais os alunos não fazem ideia do que a questão está pedindo, seja por falha na interpretação ou por falta de conhecimento sobre o tema.

Mesmo assim, a “criatura” decide escrever qualquer coisa apenas para não deixar em branco.

Portanto, cuidado: em algumas avaliações, principalmente em segunda-fase de vestibulares isso pode gerar uma pontuação negativa por fuga ao tema.

Nesse caso, apenas escreva, mesmo que de forma incompleta, quando acreditar que aquela seja a resposta correta.

Excesso de objetividade

Muitas vezes, os alunos respondem uma questão dissertativa com apenas uma palavra. Nesse sentido, colega, se teu professor deixou cinco linhas para a resposta, ele espera que no mínimo você ocupe umas duas delas.

Logo, inicie sua resposta introduzindo a partir da pergunta, por exemplo:

Questão: (PUC RJ/2002)

“Ao falar da “solidão do pioneiro”, o autor refere-se ao pioneirismo da Grã-Bretanha na Revolução  Industrial.”

“Apresente DUAS razões que contribuíram para que a Grã-Bretanha tenha experimentado a “solidão do pioneiro” naquele processo.”

Nesse sentido uma possível resposta seria: Durante a Revolução Industrial a Grã-Bretanha experimentou a solidão do pioneiro pois possuía mão de obra barata e em grande quantidade das pessoas que se deslocaram do campo para a cidade. Além de ter mercado, nos países que colonizou, para consumir seus produtos industrializados.

  • Introdução: frase em negrito.
  • Comando: apresentar.

Quantidade: duas.

Planeje sua resposta

Dessa forma, lembre-se sempre de escrever de maneira impessoal, a menos que a questão solicite sua opinião.

Portanto, evite utilizar expressões como “eu acho”, “não tenho certeza, mas”, “pode ser”, entre outras que demonstram que você não tem certeza sobre a resposta.

Nesse caso, na avaliação o que vai contar é o seu domínio do conteúdo + sua capacidade de interpretação + a produção do texto/frase da resposta. Portanto, a boa escrita da resposta é tão importante quanto o seu conhecimento sobre o tema.

Palavras-chave:

Assim, desenvolva um raciocínio lógico através das palavras-chave do enunciado para ter certeza de colocar na resposta tudo o que a questão solicita.

Por isso, lembre-se de escrever com clareza, muitas vezes a qualidade do que é escrito é melhor do que a quantidade. Inegavelmente, ter uma boa interpretação é o primeiro passo para se dar bem nesse tipo de questão.

Usou alguma das nossas dicas? Conta pra gente nos comentários ;)


Caroline Dähne

Mestre em História, Cultura e Identidades e graduada em Licenciatura em História pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Desenvolve pesquisas relacionadas a Segunda Guerra Mundial, Discursos jornalísticos, Patriotismo e Nacionalismo, Imprensa brasileira e Propagandas de guerra. Atualmente atua como professora de História na rede particular de ensino na cidade de Curitiba-PR.

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